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Iniciada a comunicação compartilhada rumo a 2008

quinta-feira 25 de janeiro de 2007

Em encontro aberto por grupo de dança e percussão ugandense, ativistas de midia alternativa iniciam rede para acompanhar jornadas globais de mobilização

Lina Rosa , Thais Chita

Fotos: Frineia Rezende

Ao som da batucada do grupo The Drum Beat Of Uganda From Uganda, cerca de 30 pessoas, que atuam na área da comunicação alternativa, representaram seus paises - Argentina, Uganda, Cabo Verde, Quênia, Índia, Paquistão, Tanzânia, Itália, Suécia, EUA e Brasil -, na reunião promovida pela Ciranda Internacional da Informação Independente, dentro do Fórum Social Mundial, em Nairobi, Quênia, dia 24.

O grupo de dança e percussão fez a apresentação de abertura do encontro, saudando a proposta de conexão entre ativistas de comunicação da África, Ásia, e América Latina, já com vistas a realizar a cobertura compartilhada das mobilizações globais do processo FSM 2007-2008.

O sonho em comum, ajudar a construir uma outra comunicação, mobilizou o grupo a começar a constituir uma rede horizontal de comunicadores, incluindo aqueles e aquelas ligados aos movimentos sociais que ainda não tem a prática e nem os recursos que possibilitem a socialização da informação. Convidar, mobilizar estes movimentos a se integrarem a Ciranda ficou como lição de casa para todos e todas presentes.

Da reunião, saiu a proposta de ampliar a Ciranda por meio de um grupo virtual de discussão com objetivos de construir uma espécie de carta de princípios específica dessa rede compartilhada que já adota a carta do FSM desde seu início. Ainda, reorganizar a rede para atuar em 2008, cujas edições do FSM serão policêntricas exigindo uma outra dinâmica, descentralizada e com equipes de atuação devidamente identificadas, organizadas e afinadas para cada ação de cobertura e seus desdobramentos.

Representado o Paquistão, Ghwam Muhammad, da South Asia Partnership Pakistan, trouxe como proposta fortalecer a rede com o objetivo de pensar em ações que sobrevivam em governos ditatoriais restritivos também no campo da comunicação, como é o caso do seu país.

A representante da Índia, Deepa Menon, da World Dignity Forum, destacou dois pontos: ações globais e locais. “Deveremos cobrir os temas internacionais que estão ligados ao Fórum, sem deixar de lado os locais respeitando as especificidades de cada lugar.” Além disso, enfatizou que a atuação da Ciranda poderia criar alianças de mídia alternativa por regiões e não apenas por países.

Uma proposta bem recebida, apresentada por Patrick Koch, do grupo de Hip Hop, Ukooflani MauMau, do Quênia, foi a de pensar em formatos informações que alcancem de fato as populações e o maior número possível delas. Podemos pensar em programas para rádios em que distribuimos os áudios para as emissoras. Não precisamos, necessariamente, ter uma rádio. Folhetos são um opção barata e rápida também, comentou o jovem.

Partilhando da mesma opinião, Henry Tho, do Quênia, ressaltou a importância de trabalhar com os mais variados suportes tendo em vista que nem todos têm acesso à rede mundial de computadores, o que, se não observado, tornariam as ações da Ciranda um tanto excludentes. Além disso, temos que ter a preocupação com a questão financeira, pois tais produtos geram custos de produção, distribuição, etc, pontuou.

Segundo Edgard Amaral, da Ciranda Afro, uma das tarefas primordiais para cirandeiros e cirandeiras é a de envolver os movimentos étnicos de seus países, incentivando-os a utilizar os espaços da Ciranda para fazer circular conteúdos que possibilitem a formação crítica das pessoas. Especialmente no Brasil, o movimento negro poderia se apropriar dessa ferramenta para divulgar suas iniciativas e campanhas de lutas.

Outra proposta, reiterada, apresentada pela equipe da Ciranda foi a de fazer um contraponto permanente na tentativa de quebrar a pratica viciada da mídia coorporativa que transforma a informação em comércio, mercadoria. Essa necessidade foi diagnosticada e apontada desde a criação da Ciranda em 2001.

Para impulsionar ações relativas às propostas apresentadas, foi consenso a organização de lista virtual que possa, além de discutir pautas comuns sobre as questões sociais, globais e locais, passar orientações sobre operação de novas ferramentas de comunicação entre o grupo, por exemplo, por meio do software livre Wiki.

Estes foram os principais pontos discutidos e acordados na reunião que começou com uma exposição de Rita Freire, uma das fundadoras da Ciranda. Rita relembrou aspectos historicos, objetivos e missao do grupo, que nasceu dentro do primeiro FSM, em Porto Alegre, e vem permanentemente se modificando e buscando uma comunicação realmente nova e democrática.


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